Igreja, por uma presença profética nas redes sociais digitais

Há dois fenômenos proporcionados pela convergência digital que alteram a forma de as pessoas se relacionarem com o mundo. Primeiro, vemos a ampliação do acesso a computadores, telefones móveis, tablets e outros equipamentos, devidamente ligados à internet, o que aumenta a possibilidade de muitos estarem permanentemente conectados a um fluxo interminável de informação.

Segundo, é crescente o uso das redes sociais no mundo digital, tais como Youtube, Twitter, Google+, Facebook, Instagram, Pinterest, Linkedin, entre outros. Isso possibilita que se multipliquem novas estruturas sociais, viabilizadas pelo acesso à internet, compostas por pessoas ou organizações ligadas por um ou vários tipos de relações, que compartilham valores, interesses ou objetivos comuns.

Desde o surgimento da Imprensa, no Século XV, passando pelo advento do rádio e da televisão, as igrejas sempre souberam rapidamente povoar os novos espaços comunicacionais. Nem sempre com os melhores resultados, ou mesmo com o dissabor de ver parte das lideranças religiosas mais comprometidas com esses novos meios marcada por escândalos e dúvidas sobre suas reais intenções. Não será diferente com as redes sociais digitais.

Encontraremos “lobos em pele de cordeiro” e, também, pessoas legitimamente interessadas em salvar almas e discipular para a glória de Deus. Pessoalmente, estou convicto de que os anticristos galvanizarão o poder midiático com o religioso, o político e o econômico em uma só pessoa ou grupo.

Por outro lado, é tarefa incontornável da Igreja se fazer presente nas redes sociais digitais de forma profética, competente e comprometida com o Evangelho. Inclusive para fazer frente a heresias - leia o artigo da Revista Cristianismo Hoje disponível em . É possível, por exemplo, fortalecer a identidade cristã metodista, reforçar vínculos entre grupos societários e marcar posição em assuntos doutrinários fundamentais, com custos menores, maior agilidade e efetividade.

Há uma série de cuidados a serem tomados, inclusive para evitar perfis falsos e não permitir que a gestão da informação em nome da igreja nas redes sociais digitais fique nas mãos de um/a ou outro/a irmão/ã, sem o controle e acompanhamento da liderança pastoral. É possível promover eventos, criar posts com versículos e conselhos, divulgar ví- deos de mensagens bíblicas, buscar pessoas ausentes e circular materiais de formação cristã.

Porém, o maior desafio dos/as líderes e pastores/ as é usar as redes sociais digitais para identificar os sinais de solidão, complexo de inferioridade, nar- É possível, por exemplo, fortalecer a identidade cristã metodista, reforçar vínculos entre grupos societários e marcar posição em assuntos doutrinários fundamentais, com custos menores, maior agilidade e efetividade. Igreja, por uma presença profética nas redes sociais digitais Expositor Cristão Matéria de Capa cisismo e dependência, traços de sofrimento que podem ser agravados com o uso intensivo desses meios. E, a partir daí, estabelecer vínculos terapêuticos com suas ovelhas, tanto no mundo virtual quanto no cotidiano dos grupos de discipulado ou no gabinete pastoral.

“A ação de Deus para a reconciliação do mundo modifica os corações e as relações dos homens; a primeira mudança é produzida pela ação do Espí- rito Santo, que dentro de nós faz novos homens; a segunda mudança é realizada pelos homens transformados, que foram libertados para o amor e estão prontos para criar a solidariedade com os outros”, ensina Klaiber e Marquardt(1).

Solidão e o abandono

A solidão aumenta quando as pessoas acreditam que seus relacionamentos têm menos relevância do que deveriam. O sentimento de impotência e o desespero são agravados quando se está em contato com um mundo artificialmente edulcorado, em que todos estão sempre felizes, bonitos ou em viagens a lugares excitantes. Os narcisistas apresentam três características reveladoras nas redes sociais digitais: o grande número de contatos, a aparência glamorosa e a qualidade artificial ensaiada na foto principal de seu perfil.

A internet deixou de ser uma ferramenta de uso anônimo para se tornar uma mídia que toca na natureza humana, expondo questões ancestrais, tais como quem somos, como nos sentimos em relação a nós mesmos, como reagimos diante dos outros e das mais variadas situações. Pessoas são reduzidas a meros objetos, presenças ligadas e desligadas de acordo com o humor do dia e às quais se deve pouco respeito e honestidade.

Aumenta o risco de nos distanciarmos de rela- ções de pleno comprometimento com os outros, imersos em nossas bolhas de mídia protetoras. As redes sociais digitais podem piorar uma situação já terrível e é preciso povoar também esse espaço com o anúncio transformador da Palavra de Deus.

(1) KLAIBER, Walter; MARQUARDT, Manfred. Viver a Graça de Deus: Um compêndio da teologia wesleyana, 2ª edição. São Bernardo do Campo: Editeo, 2006.

 

* Luciano Satlher é professor universitário e membro da Igreja Metodista Santo Andre em São Paulo. Para ver o artigo original publicado no Expositor Cristão pode abrir este link: http://issuu.com/expositorcristao/docs/expositor_cristao_-_junho_2015?e=9321723/13242080

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