Bispos africanos não estão unidos quanto ao futuro da igreja

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O Bispo Samuel J. Quire Jr. discursa na reunião da Conferência Anual da Libéria em Gbarnga, Libéria, em Março. Quire está entre os bispos africanos da Igreja Metodista Unida que têm discutido uma divisão denominacional e o que isso pode significar para eles e suas conferências. Foto de E Julu Swen, Noticias da MU.
O Bispo Samuel J. Quire Jr. discursa na reunião da Conferência Anual da Libéria em Gbarnga, Libéria, em Março. Quire está entre os bispos africanos da Igreja Metodista Unida que têm discutido uma divisão denominacional e o que isso pode significar para eles e suas conferências. Foto de E Julu Swen, Noticias da MU.
Enquanto muitos nos EUA considerem a África um bloco político sólido dentro da Igreja Metodista Unida, os bispos africanos actualmente não estão de acordo sobre o futuro da denominação ou seu lugar nela.

Três bispos africanos disseram recentemente que eles e suas conferências deixarão a Igreja Metodista Unida e se organizarão com outros tradicionalistas se a denominação se dividir sobre a remoção da proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da ordenação de clerigo gay “auto-declarado praticante”.

Outros líderes episcopais africanos, como o bispo da área do Zimbábue, Eben K. Nhiwatiwa, não aderiram a tais declarações e parecem abertos a explorarem opções para permanecerem na denominação. Actualmente, a denominação tem 12 bispos africanos.

“Nós nos respeitamos mesmo em nossas diferenças,” disse Nhiwatiwa, presidente interino da mesa dos bispos africanos, num comunicado após o grupo se reunir no mês passado. “Ao que parece, a maioria de nós bispos (africanos) não pensa em deixar a Igreja Metodista Unida.”

A luta de décadas da Igreja Metodista Unida sobre como aceitar ser homossexual levou a convocação duma Conferência Geral especial em 2019. Os delegados na assembleia legislativa da Igreja, realizada em St. Louis, aprovaram por uma margem de 438 a 384 a Plano Tradicional, fortalecendo as proibições de casamento entre pessoas do mesmo sexo e sua ordenação.

A reunião foi altamente contenciosa, atraindo cobertura da imprensa internacional e levando a protestos generalizados do resultado pelos Metodistas Unidos nos EUA, onde o casamento gay é legal e cada vez mais aceite, de acordo com pesquisas de opinião.

No verão de 2019, o bispo da área de Serra Leoa, John Yambasu, assumiu a liderança na reunião de um grupo diverso de líderes da igreja (representando centristas, progressistas e tradicionalistas) para considerar os próximos passos para a denominação.

O resultado, obtido com a ajuda do famoso mediador Kenneth Feinberg, foi o Protocolo de Reconciliação e Graça por Separação. Se a proposta for adoptada, permitirá que as igrejas tradicionalistas e as conferências que votam para fazê-lo saiam da Igreja Metodista Unida, com propriedade e $25 milhões para começar. A proposta também reserva US $2 milhões para outros grupos de igrejas que possam sair.

No entanto, a pandemia de COVID-19 adiou pela segunda vez a Conferência Geral de 2020, a assembleia legislativa da Igreja. Agora está programado para 29 de Agosto a 6 de Setembro de 2022. Assim, o protocolo e outras propostas legislativas continuam em espera.

Yambasu era o único africano na equipe de mediação do protocolo e morreu em 16 de Agosto de 2020, num acidente de carro.

Nenhum bispo africano substituiu Yambasu, embora a equipe de mediação do protocolo continua a se reunir.
 
 “A equipe do protocolo estabeleceu um sub-grupo para conversar com os bispos africanos sobre como eles podem estar melhor representados no trabalho da equipe do protocolo,” disse o bispo da área de Nova York, Thomas Bickerton, um membro da equipe, por telefone na semana passada.

Enquanto isso, o Bispo Samuel J. Quire Jr. da Libéria, o Bispo Owan Tshibang Kasap do Sul do Congo e o Bispo John Wesley Yohanna da Nigéria fizeram recentemente declarações indicando que eles e as suas conferências se juntarão aos tradicionalistas se a Igreja Metodista Unida se dividir num cenário de protocolo.
O Bispo John Wesley Yohanna dirige a Área da Nigéria da Igreja Metodista Unida. Foto de arquivo de 2016 por Mike DuBose, UMNS.
O Bispo John Wesley Yohanna dirige a Área da Nigéria da Igreja Metodista Unida. Foto de arquivo de 2016 por Mike DuBose, UMNS.
O protocolo permite que as conferências votem para partir e se realinhar, e Quire sugeriu que poderia ser o caso com a Libéria.

 “Quando a divisão acontecer, a Conferência da Libéria estará ansiosa para fazer parcerias com outros tradicionalistas Metodistas Unidos em todo o mundo,” disse Quire num comunicado episcopal de 19 de Março à Conferência da Libéria.

 “Igreja Metodista Global” é o nome que os grupos tradicionalistas como a Wesleyan Covenant Association deram à denominação que planificam formar, preferencialmente após a aprovação do protocolo.

Kasap referia-se à denominação em andamento pelo nome.

 “O caminho seguido pela (a) Igreja Metodista Global vai ao encontro da aspiração espiritual e doutrinária do Sul do Congo e da Zâmbia,” disse ele num comunicado de seis páginas.

Kasap também observou que os africanos aprenderam tanto com os missionários quanto com a Bíblia que o casamento é para ser entre um homem e uma mulher.

 “Estamos convencidos de que a homossexualidade é incompatível com o ensino do evangelho de Cristo,” escreveu ele. “E, de modo geral, a homossexualidade não se encaixa na cultura africana.”

Yohanna usou uma entrevista em 24 de Março para criticar a Aliança de Natal, uma proposta para reestruturar a igreja em conferências regionais, incluindo uma conferência regional nos Estados Unidos.

Actualmente, apenas as conferências centrais - regiões eclesiásticas na África, Europa e Filipinas - têm autoridade para adaptar certas partes da lei eclesiástica a seus contextos missionários. A Aliança de Natal fortaleceria a capacidade de todas as regiões adaptarem as leis da igreja, incluindo políticas potencialmente relacionadas ao status das pessoas LGBTQ.

Mas Yohanna vê isso como um obstáculo.
 
 “Afirmo que é impossível ser uma igreja e ainda assim pregar entendimentos diferentes sobre o casamento,” disse o bispo nigeriano.

Yohanna acrescentou que se o protocolo for aprovado “não faremos parte de (a) IMU que mudará a linguagem do Livro de Disciplina para acomodar o casamento do mesmo sexo e a ordenação. Nesse ponto, manter a nossa identidade cristã conservadora terá precedência sobre o nome IMU.”

As declarações de Quire, Kasap e Yohanna foram anotadas numa coluna recente do Rev. Keith Boyette, que lidera a Associação da Aliança Wesleyana e supervisionou a planificação da Igreja Metodista Global.

 “A WCA comemora os recentes anúncios de três bispos líderes na África que sinalizaram sua intenção de se alinhar com esta nova expressão tradicional do Metodismo,” disse Boyette.

Mas tem havido resistência entre os Metodistas Unidos Africanos.

Um grupo de líderes Metodistas Unidos da Nigéria, clérigos e leigos, divulgou uma declaração questionando as observações de Yohanna e argumentando contra a dissolução da Igreja Metodista Unida através do protocolo ou qualquer outro veículo.

 “O mundo não precisa de mais novas igrejas, mas o mundo precisa de corações de cristãos cheios de compaixão, verdade, justiça, rectidão e misericórdia conforme revelado por Deus em Miquéias 6: 8,” disse o comunicado.

A audiência de Quire incluiu Jefferson Knight, um delegado da Conferência da Libéria para a Conferência Geral de 2022 e apoiante da Aliança do Natal.

 “Não queremos ver a Igreja Metodista Unida dividida, especialmente em África”, disse Knight, membro da Africa Voice of Unity, um grupo com clérigos e representantes de várias conferências no continente.
O Bispo Eben Nhiwatiwa ora durante a Conferência Geral Metodista Unida de 2019 em St. Louis. Nhiwatiwa lidera a Área do Zimbabué da Igreja Metodista Unida. Foto de arquivo: Paul Jeffrey, Noticias da MU.
O Bispo Eben Nhiwatiwa ora durante a Conferência Geral Metodista Unida de 2019 em St. Louis. Nhiwatiwa lidera a Área do Zimbabué da Igreja Metodista Unida. Foto de arquivo: Paul Jeffrey, Noticias da MU.
Nhiwatiwa, no que sublinhou ser uma declaração pessoal, disse que os africanos que insistem que não podem permanecer na Igreja Metodista Unida devem considerar começar a sua própria denominação ao em vez de procurar alinhar-se com outra baseada fora do continente.

 “Por que não formar uma mega-denominação com base na África e convidar outros para vir e se juntar a eles,” escreveu ele em sua mensagem recente. “Por que os africanos devem estar sempre na ponta como aqueles que apenas recebem convites de outras pessoas.”

Nhiwatiwa juntou-se ao Bispo da Área da África Oriental, Daniel Wandabula, ao Bispo da Área de North Katanga, Mande Muyombo, e ao Bispo da Área de Moçambique Joaquina Filipe Nhanala, participando de um recente webinar sobre a Aliança do Natal.

Os bispos não endossaram a proposta em seus breves comentários durante a reunião gravada, mas ofereceram agradecimento pelo esforço.

“O conceito de regionalização é fundamental, especialmente em termos de empoderamento de igrejas em todo o mundo,” disse Muyombo.

Em Novembro de 2019, os bispos nas conferências centrais endossaram a proposta de criar uma conferência regional nos Estados Unidos. Essa proposta já faz parte da Aliança do Natal.

Que os bispos africanos têm sido líderes fortes em suas áreas é indiscutível. Mas nenhum bispo pode votar na Conferência Geral, onde a política da igreja é decidida.

Wandabula enfatizou isso numa entrevista por e-mail. 

“Por causa disso”, disse ele, “tento o meu melhor para não direccionar ou influenciar os delegados da minha área episcopal sobre o que votar ou como eles deveriam votar”.

Hodges* é redactor da United Methodist News em Dallas. E Julu Swen e Heather Hahn contribuíram. Contacte Hodges em 615-742-5470 ou [email protected]. O Bispo Yohanna serve na comissão governamental que supervisiona as Comunicações Metodistas Unidas, que inclui Notícias da UM.

Sambo** é o correspondente lusófono na África para Notícias Metodista Unida.

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