Metodistas Unidos reagem ao veredicto de Chauvin

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Os Metodistas Unidos em toda a conexão juntaram-se à resposta nacional ao veredicto de culpado proferido em 20 de abril, no julgamento do ex-oficial da polícia de Minneapolis Derek Chauvin pelo assassinato de George Floyd.

Um júri condenou Chauvin por três acusações de homicídio e homicídio culposo.

O bispo David Bard, líder episcopal interino da Conferência de Minnesota, descreveu o veredicto como uma medida de alívio e profunda tristeza, observando que “nenhum veredicto pode devolver uma pessoa dos mortos”.

Em Minneapolis, a decisão foi recebida com alívio e reconhecimento do significativo trabalho antirracismo que ainda resta.

A reverenda Dana Neuhauser, que serve a Igreja New City - uma igreja Metodista Unida plantada no sul de Minneapolis - estava no local do memorial de Floyd quando o veredicto foi anunciado. A maioria das pessoas com quem ela estava se prepararam para a absolvição, disse ela.

“Minha reação inicial foi de choque, depois de alívio”, disse Neuhauser. “Um colega negro com quem eu estava disse: 'Nós importamos, nós importamos, nós importamos.'”

Enquanto isso, o reverendo Laquaan Malachi, que serve à Igreja Metodista Unida do Norte em Minneapolis do Norte, disse que se sentiu como se estivesse em uma espécie de limbo.

“Estamos celebrando a mediocridade de nosso sistema de justiça”, explicou. “Este veredicto não exonera o sistema, mas sim destaca o quão difícil é a justiça quando não há câmeras filmando. Este veredicto foi um passo de bebê e temos um longo caminho a percorrer”.

Ao longo do ano passado, tanto Malachi quanto Neuhauser falaram em vigílias, marcharam por justiça, protestaram contra a brutalidade policial contra pessoas de cor e forneceram uma presença pastoral durante o levante que se seguiu ao assassinato de Floyd. Embora estejam aliviados por Chauvin ser responsabilizado por suas ações, eles reconhecem que o trabalho por um mundo justo e equitativo está apenas começando.

“A partir daqui, continuamos em frente”, disse Malachi. “Esta é uma vitória momentânea importante, mas o trabalho de curar um mundo quebrado ocorre em nossas interações diárias com aqueles ao nosso redor. O trabalho da igreja é viver neste mundo que estamos convencidos de que pode ser real.”

“Às vezes, parece que estou escavando no meio de uma nevasca e tudo o que tenho é uma colher de chá”, disse Neuhauser, “mas vou continuar escavando”.

A Revda. Ginger Gaines-Cirelli, pastor sênior da Igreja Metodista Unida Foundry em Washington, DC, estava em Minneapolis e presente com a família Floyd enquanto aguardavam o veredicto.

Ela o descreveu como "um momento de grandes consequências para nós, como pessoas de fé".

“Este é potencialmente um momento de pivô real para renovar o compromisso de abordar como desmantelar essas coisas em vez de fingir que não são reais”, disse ela em um post na Live de Facebook na página da Foundry. “Eu acredito que Deus está ... sempre com os oprimidos e os sofredores.”

Os líderes da Igreja expressaram a sensação de que o veredicto foi justo enquanto exortavam a comunidade religiosa a se envolver no fim do racismo generalizado e da injustiça sistêmica contra as pessoas de cor.

M. Garlinda Burton, alta executiva interina da Comissão Metodista Unida sobre Religião e Raça, observou que a palavra hebraica para justiça, mishpat, ocorre mais de 200 vezes no Antigo Testamento.

A portrait of George Floyd by artist Peyton Scott Russell forms part of a memorial to Floyd in Minneapolis. Former Minneapolis police officer Derek Chauvin was convicted April 20 for murdering Floyd. Photo by Lorie Shaull.

Um retrato de George Floyd do artista Peyton Scott Russell faz parte de um memorial ao Floyd em Minneapolis. O ex-policial de Minneapolis, Derek Chauvin, foi condenado no dia 20 de abril pelo assassinato de Floyd. Foto de Lorie Shaull.

“Deus estabeleceu uma agenda antirracismo para nós e Deus espera que vivamos isso em nossas relações com Cristo e uns com os outros”, disse ela. “Deve começar com conversas duras, oração e ação penitentes, e verdade sobre em que a comunidade da Igreja Cristã dos Estados Unidos falhou em fazer e ser.”

Em uma declaração, a United Methodist Board of Church and Society  (Junta Metodista Unida da Igreja e Sociedade) escreveu: "Como seguidores de Cristo Ressuscitado, devemos nomear a supremacia branca como pecado e declarar que a verdadeira justiça só será alcançada quando reconstruirmos os sistemas de segurança pública em cada um de nossos comunidades para que negros, pardos, indígenas e pessoas de cor recebam proteção e segurança equitativas.”

A Conferência de Baltimore-Washington, os Metodistas Negros para a Renovação da Igreja e as Mulheres Metodistas Unidas emitiram uma declaração conjunta chamando os Metodistas Unidos à ação, incluindo o trabalho para uma reforma policial abrangente, levantando e praticando os Princípios Sociais e resoluções sobre o racismo. Eles também compartilharam uma lista de recursos para trabalhar pelo antirracismo.

Na sequência do veredicto, o Conselho Metodista Unido de Bispos divulgou uma declaração apelando ao desmantelamento do racismo sistémico e lembrando a igreja do seu mandato bíblico de trabalhar pela justiça.

“A violência racial vivida por comunidades de cor nos levou a pensar mais profundamente sobre como a supremacia branca funciona em nossa sociedade”, diz a declaração. “Somos chamados como pessoas de fé para trabalhar por um mundo onde o amor, a paz e a justiça reinem.” 

A morte de Floyd em maio de 2020 foi um catalisador que levou à criação da iniciativa denominacional “Dismantling Racism” (Desmantelando o Racismo), lançada semanas depois.

Embora o alívio e mesmo uma breve exuberância sejam compreensíveis na sequência da condenação, os bispos Metodistas Unidos também instaram a igreja a continuar o trabalho árduo de reconciliação racial. 

“Precisamos do Espírito Santo, do sopro de Jesus para o trabalho contínuo de desmantelar a desigualdade racial... o trabalho de construir a Comunidade Amada, o trabalho de amor”, escreveu Bard.

O bispo Grant J. Hagiya, da Conferência Califórnia-Pacífico, acrescentou: “Este veredicto representa a base e não o teto do que precisa acontecer em nossa nação”.

O veredicto mostra que a comunidade foi capaz de responsabilizar os policiais, mas os abusos continuam impunes, disse a bispa Laurie Haller das conferências de Iowa e Dakotas.

“A lista de vidas negras que foram mortas desnecessariamente cresce a cada dia”, disse ela. “A cultura generalizada do racismo e da supremacia branca, cada vez mais incitada pela retórica política, cresce a cada dia. O medo entre os pais de crianças negras aumenta a cada dia. A ostentação de nossas leis contra discriminação e discriminação racial cresce a cada dia.”

A Bispa Peggy A. Johnson, da Conferência do Leste da Pensilvânia, sugeriu que “derramamos algumas lágrimas silenciosas junto com nossos muitos irmãos e irmãs que foram traumatizados pelo racismo, sistemas injustos e brutalidade”.

“Muitas pessoas não receberam justiça no passado, e a desigualdade racial e a violência contra pessoas de cor tem sido uma realidade dolorosa”, disse ela.

O bispo Sudarshana Devadhar, da Conferência da Nova Inglaterra, disse que a condenação de Chauvin “fornece uma medida de justiça para George Floyd e um raio de esperança para todos os que estão esperando por prestação de contas”.

Mais trabalho precisa ser feito em torno das questões raciais, disse ele, acrescentando que “a justiça não está completa até que todos os filhos de Deus possam viver juntos em comunidade, com respeito mútuo, dignidade e equidade”.

Chauvin e sua família também estão sofrendo, reconheceram vários bispos, e são dignos das orações dos Metodistas Unidos junto com a família de Floyd.

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Não há “vencedores no caso do assassinato de George Floyd”, disse o bispo Frank J. Beard da Conferência Illinois Great Rivers. “Todos nós estamos feridos e enfraquecidos por todas as formas de injustiça e dor. Eu oro por Derek Chauvin e por sua família. Continuo orando pela família de George Floyd. Eu oro por nossos policiais e aqueles que juraram proteger e servir.”

A bispa LaTrelle Easterling, da Conferência Baltimore-Washington, ofereceu uma mensagem semelhante.

“Este é um momento de oração para a família Floyd, que continua a lamentar”, disse ela. “Este é também um momento de oração para a família Chauvin, pois eles também estão sofrendo. Como povo de Deus, sabemos que o perdão está disponível para todos os que o buscam com o coração sincero”.

Gaines-Cirelli, da Foundry, também incentivou a oração pelos membros do júri.

“Nem todos apoiarão sua decisão” e podem responder negativamente a eles, disse ela. “Vamos cercá-los de oração.”

O Rev. Kevin R. Murriel, pastor sênior da Igreja Metodista Unida Cascade de 7.000 membros em Atlanta, conduziu uma discussão online logo após o veredicto com sua congregação predominantemente afro-americana.

Ele falou que se sentiu aliviado com o veredicto, especialmente por causa das decepções anteriores, quando a polícia foi absolvida pela morte de negros desarmados. Ele também exortou sua congregação a permanecer envolvida.

“Precisamos trabalhar mais pela justiça porque hoje é George Floyd, mas amanhã é Daunte Wright, e amanhã são todos os outros que não foram identificados por quem ainda temos que lutar”, disse Murriel. 

Outras organizações e parceiros Metodistas Unidos também comentaram o veredicto.

O Rev. Michael L. Bowie Jr., diretor executivo nacional da Strengthening the Black Church for the 21st Century (Fortalecimento da Igreja Negra para o Século 21), descreveu "como Jesus soprou em nossa nação", mas observou que horas depois, uma adolescente negra foi baleada pela polícia em Columbus, Ohio.

“Até que a reforma da polícia e o racismo sistêmico neste país sejam desmantelados, infelizmente continuaremos a viver com o medo de não conseguir respirar”, disse Bowie.

O reverendo Reuben Eckels, defensor da política doméstica do Church World Service (Serviço Mundial da Igreja), disse que o veredicto tem potencial para ser um momento crucial na história da justiça racial na América.

“Um veredicto não muda todo um sistema ou cultura, mas fornece um senso de responsabilidade que nós, como nação, devemos nos esforçar para reproduzir se quisermos realmente alcançar a justiça racial.”

O reverendo Keith Boyette, presidente da Wesleyan Covenant Association (Associação do Pacto Wesleyano), disse: “Nosso sistema de justiça foi autorizado a funcionar e o júri avaliou cuidadosamente as evidências e chegou a um veredicto consistente com a lei. Respeitamos o veredicto do júri.”

A principal executiva das Mulheres Metodistas Unidas, Harriett Jane Olson, disse: “Como pessoas de fé, nós celebramos enquanto continuamos nosso trabalho de defesa de direitos. Que a justiça desça como as águas, hoje e nos dias que virão.”

 

*Esta história foi compilada e relatada pelos repórteres da Notícias MU Joey Butler, Heather Hahn, Sam Hodges e Jim Patterson. 

**Sara de Paula é tradutora independente. Para contatá-la, escreva para [email protected]. Contate-os em 615-742-5470 ou [email protected] Para ler mais notícias da Metodista Unida, assine os resumos quinzenais gratuitos.

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