A multiplicação que a Igreja precisa

Hoje esta palavra está bastante disseminada nos movimentos evangélicos. Ela é aplicada, especialmente, no contexto da expansão do crescimento numérico das nossas comunidades de fé. Não é o nosso propósito, neste texto, trabalhar a questão do crescimento da Igreja.

Acreditamos que todos/as nós que temos paixão missioná- ria, desejamos caminhar a partir do exemplo de Jesus Cristo em Sua oração sacerdotal: “a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai em mim e eu em ti, também, sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17.21). Ou seja, anelamos com fervor que as pessoas conheçam a graça amorosa de Jesus Cristo e possam crescer em santidade e alicerçadas na comunidade de fé a partir de um discipulado cheio dos frutos do Espírito Santo.

Ou ainda, uma pessoa cristã, consciente do seu compromisso missionário, vive em missão e, consequentemente, é impactada pelas palavras do apóstolo Paulo: “se anuncio o evangelho; não tenho de me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho” (1 Coríntios 9.16).

Dentro do cenário em que vivemos experimentamos sinais lamentáveis de imaturidade, superficialidade, desamor, intolerância, arrogância etc. No sermão profético deparamos com um pensamento profundamente desafiador à luz da nossa realidade: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mateus 24.12). Que admoestação inquietante! Precisamos repensar sobre novos patamares da multiplicação que desejamos construir.

Acreditamos que precisamos de uma maior dilatação da unidade da Igreja enquanto Corpo de Cristo agindo na comunidade. Nossa desunião está se multiplicando e com graves ressonâncias no testemunho comunitário da Igreja. Constantemente somos informados/ as de divisões de igrejas tendo como forte motivação a “sedu- ção pelo poder” e, lamentavelmente, quase sempre tendo por trás o dedo do pastor ou da pastora. Precisamos multiplicar a unidade “com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-se diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.” (Efésios 4.2-3). É preciso unir as nossas forças para que tenhamos um discipulado que possa aprender a multiplicar a “multiforme graça de Deus” (1 Pedro 4.10). Que enorme desafio!

Nós, metodistas e wesleyanos/as, reafirmamos: “que a vivência e a fé da Igreja se fundamentam na revelação e ação da graça divina”. A graça divina é o fundamento de toda a revela- ção e ação histórica de Deus e se manifesta de forma preveniente, justificadora e santificadora, na vida do crente e da Igreja, pela fé, pessoal e comunitária (Elementos Fundamentais da Unidade Metodista, pág. 86, Cânones da Igreja Metodista, 2012/2016). Que oportunidade maravilhosa para espalharmos a multiplicação das variadas expressões da graça de Deus na vida das pessoas e do mundo sob a ação do Espírito Santo! Essa graça santificadora rega o mundo com justiça, paz e integridade da criação. É um ato de reconciliação.

Devemos multiplicar a nossa ação perdoadora! O egoísmo se multiplica, bem como a desgra- ça e a ganância. Há muitos desafetos; há muitos corações endurecidos; há muito ódio! Por isso, Jesus adverte, conforme dissemos acima, “e, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de muitos”. Quando falta o perdão amoroso, cresce o ódio. As pessoas estão adoecendo, bem como o tecido social, com marcas indeléveis de rancor, ressentimento e vingan- ça. Somos instados/as pelo Espírito de Deus para uma atitude de humildade, quebrantamento, confissão dos nossos pecados pessoais e comunitários, para multiplicarmos o nosso testemunho de vidas “redimidas pelo Senhor”.

Poderíamos listar nesta pequena provocação muitas ações multiplicadoras que são causadoras de vida e vida em abundância (João 10.10). No entanto, trazemos à memória os ensinos de Jesus Cristo, que precisam ser multiplicadores do caráter evangélico. O ensino do Evangelho impõe sobre a vida da comunidade cristã, valores, fundamentos, testemunhos de vida que desemboquem na coerência entre falar e viver. Lamentavelmente a crise que vivemos passa pelos valores éticos, morais e espirituais, não tendo como parâmetro os valores do Reino de Deus. Vivemos uma crise de caráter! Necessitamos multiplicar na vida das pessoas, das comunidades e do nosso povo o caráter de Cristo (1 Pedro 2.21).

Que tal começar um estudo sobre multiplicação com as bem- -aventuranças (Mateus 5. 1-12)? Que o Senhor nos inspire na multiplicação da graça divina.

* Adriel de Souza Maia Bispo Emérito da Igreja Metodista.  Para ver o artigo original publicado no Expositor Cristão pode abrir este link: http://issuu.com/expositorcristao/docs/expositor_cristao_maio/11?e=9321723/12567642

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