Pontos principais:
- A Universidade de África e as Comunicações Metodista Unida ( UMCom) celebraram a graduação das primeiras turmas de um novo programa de Comunicação Estratégica.
- Trinta e sete comunicadores metodistas unidos, representando as 14 Áreas Episcopais da Igreja em África, concluíram a formação.
- Os graduados destacam o impacto do programa em contextos marcados por conflitos, epidemias e desinformação.
Dezenas de comunicadores da Igreja Metodista Unida provenientes de 17 países reuniram-se nas últimas semanas na Universidade de África para aperfeiçoar as suas competências em comunicação estratégica, produção de conteúdos e narrativa institucional, ao mesmo tempo que fortaleceram uma rede continental de colaboração.
A formação resulta de uma parceria entre as Comunicações Metodista Unida e a Universidade de África. Um total de 37 estudantes, representando todas as 14 Áreas Episcopais da Igreja Metodista Unida em África, receberam certificação nas duas primeiras turmas do programa.
Antes da fase presencial, os participantes concluíram oito semanas de formação online, seguindo-se duas semanas intensivas de aulas e atividades práticas em Mutare, nos meses de junho e julho.
"Esta parceria nasceu do desejo comum de capacitar líderes locais para comunicarem com confiança e clareza de propósito, de maneiras a produzirem o maior impacto possível para a Igreja", afirmou Dan Krause, diretor executivo da UMCom, numa mensagem preparada para a cerimónia de graduação. Krause não pôde estar presente devido a atrasos nos voos.
Ao destacar o crescimento da denominação no continente, Krause afirmou:
"África é o lar das expressões da Igreja Metodista Unida que mais crescem em todo o mundo. A história do que Deus está a realizar neste continente é extraordinária, e cabe a vocês contá-la."
O programa foi criado para responder à necessidade de formação profissional em comunicação dentro das comunidades metodistas unidas em África. O currículo combina aprendizagem prática com uma abordagem voltada para o panorama mediático africano, incluindo plataformas móveis, redes sociais e o rápido desenvolvimento da inteligência artificial.
Vinte e três comunicadores graduaram-se na primeira turma, a 26 de junho, enquanto outros 14 receberam os seus diplomas na cerimónia realizada a 17 de julho. Com esta iniciativa, cada Área Episcopal em África passou a contar com pelo menos dois comunicadores profissionalmente certificados.
A Universidade de África, instituição pan-africana ligada à Igreja Metodista Unida e fundada em 1992, acolheu a componente presencial do programa e colaborou na sua elaboração académica. Docentes e diretores de departamento desenvolveram um currículo adaptado aos desafios específicos da comunicação nos diversos contextos africanos.
Durante a cerimónia da primeira turma, o Rev. Peter Mageto, vice-chanceler da Universidade de África, felicitou os graduados por abraçarem uma área que se tornou essencial para a liderança institucional e para a missão da Igreja num mundo cada vez mais digital, complexo e interligado.
Recorrendo à experiência do profeta Elias na caverna, Mageto recordou que Deus não se manifestou no vento, no terramoto ou no fogo, mas numa voz mansa e delicada.
"No meio do caos, das tempestades, das crises e de tanto ruído, esperamos que vocês façam ouvir a verdade", disse aos comunicadores. "Vocês representam essa voz tranquila e suave."
O vice-chanceler acrescentou que todos continuam a ser uma obra em construção.
"Enquanto Deus vos conceder um novo dia de vida, significa que ainda está a trabalhar em vós. Como comunicadores cristãos, lembrem-se sempre: não é a vossa voz, é a voz mansa e suave de Deus."
Para muitos participantes, o maior legado do programa não foi apenas o diploma recebido, mas a rede de relacionamentos construída e a aplicação prática dos conhecimentos em contextos frequentemente marcados por crises.
Comunicadores que antes trabalhavam isoladamente — muitas vezes sendo os únicos responsáveis pela comunicação de toda uma Área Episcopal — passaram agora a integrar uma rede continental de profissionais.
"Quando os comunicadores trabalham isolados, quando os que contam as histórias da Igreja não se conhecem, não se apoiam e não partilham os seus desafios e progressos, a mensagem torna-se fragmentada", afirmou Jennifer Rodia, directora de parcerias, notícias e produção da UMCom.
"Mas quando fortalecemos a comunidade que construímos aqui, é assim que a Igreja encontra a sua voz."
Enfrentando desafios em casa
Os comunicadores disseram que o treinamento conecta-se com a difícil realidade muitas vezes encarada no terreno.
Na República Democrática do Congo, Judith Osongo Yanga, directora de comunicação da Área Episcopal do Leste do Congo , trabalha numa região marcada por conflitos armados recorrentes, surtos de Ébola e territórios divididos entre forças governamentais e grupos rebeldes.
"Precisamos ampliar os nossos esforços de comunicação através de uma diplomacia comunicacional eficaz, para trabalharmos sem interferências, porque a população necessita de informação correcta e em tempo real", explicou.
Segundo Yanga, a comunicação de crise, o uso responsável da inteligência artificial, a identidade da marca metodista unida e os protocolos de comunicação foram alguns dos temas mais relevantes da formação.
"Este diploma representa um valor acrescentado: uma nova competência para o meu trabalho e para a forma como vivo e comunico."
Na Área Episcopal da Nigéria que também inclui os Camarões e o Senegal, o Rev. Filibus Bakari Auta destacou especialmente as aulas sobre os modelos bíblicos de comunicação.
Segundo ele, estes ensinamentos dialogam profundamente com a filosofia africana ubuntu que reconhece a interdependência entre as pessoas e afirma que todos foram criados à imagem de Deus e devem tratar os outros como gostariam de ser tratados.
"Aqui, cada palavra e cada conversa possuem peso moral. Podemos utilizá-las para edificar pessoas ou para destruir comunidades inteiras", afirmou. Auta cita o modelo de comunicação usado por Jesus no diálogo com a mulher Samaritana como um modelo a ser seguido pelos comunicadores que estão enfrentando divisões étnicas, políticas e de gênero.
Auta explicou que enfrenta diariamente o desafio da desinformação relacionada com as tensões envolvendo membros da Igreja Metodista Global. Como resposta, pretende lançar um canal oficial verificado, através do WhatsApp ou de uma página autenticada no Facebook para combater a desinformação "com graça e transparência".
No Uganda, Chrinore Ruremesha, director de comunicação da Conferência Uganda-Sudão do Sul há apenas nove meses, participou pela primeira vez numa formação desta natureza.
Destacou especialmente as ferramentas de inteligência artificial generativa para fortalecer a evangelização digital, bem como os conteúdos sobre identidade visual, marca institucional e análise de dados.
Numa região marcada por conflitos, deslocamentos populacionais e emergências humanitárias, Ruremesha considera que a comunicação de crise e a informação ética são instrumentos fundamentais para transmitir esperança, paz e informações fiáveis.
Já Francisco Tivane, director de comunicação da Conferência do Norte de Moçambique, afirmou que aprofundou competências práticas em fotografia, vídeo e produção visual.
Segundo Tivane, o maior desafio no seu contexto continua a ser a diversidade cultural e linguística das comunidades, realidade que pretende enfrentar utilizando múltiplos canais de comunicação, traduzindo mensagens essenciais e trabalhando em estreita colaboração com lideranças locais para fortalecer a confiança.
Entre as histórias que deseja contar está um projecto liderado por mulheres metodistas unidas dedicado à produção artesanal de sabão medicinal.
Para ele, as competências adquiridas permitirão promover uma comunicação baseada na escuta empática e numa resposta eficaz diante de conflitos, epidemias e desastres.
Líderes da UMCom e da Universidade de África acreditam que este programa estabelece as bases para uma rede continental de comunicação mais forte, integrada e preparada para servir a missão da Igreja. Nos próximos anos, os bispos poderão continuar a indicar novos comunicadores das respectivas Áreas Episcopais para participar na formação, ampliando o número de profissionais certificados em todo o continente.
"Este é o fundamento que nos tornará mais fortes à medida que avançamos, levando adiante a visão da Igreja Metodista Unida de amar com ousadia, servir com alegria e liderar com coragem", afirmou Jennifer Rodia.
Londe é correspondente da UM News baseado na República Democrática do Congo.