Jovem vence o desemprego preservando o ambiente


A poluição ambiental preocupa governos do mundo inteiro e a reciclagem é uma prática que pode ajudar as comunidades locais a saírem do desemprego e tornarem-se auto-sustentáveis.

Ell Mbala é um jovem metodista de 41 anos de idade que desde os seus quinze anos aprendeu e dedicou-se à fabricação de fogões caseiros no município do Maquela do Zombo, província do Uíge. Saiu da sua terra natal no ano de 2004 e instalou-se em Luanda no bairro Malueca, onde formou família composta por sua esposa e dois filhos, e onde vive até aos dias de hoje. Anos depois, o mestre Mbala como é conhecido, foi apresentado na Igreja Metodista Unida de Job no antigo distrito de Luanda Norte, hoje distrito de Luanda.

"Para o fabrico de fogões caseiros recupero metais abandonados em lixeiras e restos de chaparias de viaturas acidentadas em algum lugar aqui nos arredores de Luanda," disse Ell Mbala, mestre em serralheira civil.

“Eu não compro a matéria-prima, porque tudo que preciso para fazer um fogão encontro em lixeiras, carros abandonados ou noutro equipamento absoleto, desde que as pessoas deitem e eu veja que ainda é possível reciclar, assim recupero a custo zero," explicou Mbala.

O jovem artesão é membro da Igreja Metodista Unida de Job no distrito de Luanda, onde foi apresentado alguns anos atrás, após a sua chegada na cidade de Luanda.

"Tenho apenas um único ajudante aqui na oficina e trabalho cinco dias por semana. O que faço, ajuda-me a garantir o sustento da família e resolver alguns problemas."

Mbala afirma produzir de 10 a 14 fogões por dia dos quais consegue vender 3 a 4 equipamentos por dia num valor que varia entre os 400 à 700Kz. Deste dinheiro ele consegue alimentar e cuidar da família, bem como contribuir para sua Igreja local.
 
“O emprego sempre foi difícil para os jovens e com esta pandemia da Covid-19 só veio piorar ainda mais a condição dos jovens, por isso decidi montar a indústria para sustentar a minha família e ajudar a formar outros jovens,” explicou o mestre Mbala.

A procura dos fogões do mestre Mbala é maior, e sobretudo agora que muita gente esta enfrentado dificuldades financeiras.

“Sinto que tenho que aumentar a produção porque a procura aumentou neste fase da pandemia, porque as pessoas estão mais tempo em casa e estão sempre a cozinhar,” concluiu Mbala.
 
Maria Emília, uma das clientes antiga de Mbala comentou a qualidade do produto. “Sempre gostei de comprar os fogões feitos pelo mestre Mbala porque duram mais tempo e são fáceis de usar.”
 
"Os fogões convencionais e as botijas de gás são caros demais,” explicou Maria.
Dona Maria Emília, uma das clientes de Mbala prepara o jantar da família usando um fogão feito artesanal em Luanda, Angola. Foto de Augusto Bento.
Dona Maria Emília, uma das clientes de Mbala prepara o jantar da família usando um fogão feito artesanal em Luanda, Angola. Foto de Augusto Bento.
"O mestre Mbala, tem ajudado muitas famílias desfavorecidas na nossa comunidade," disse a senhora Joana Teresa, membro da comunidade. "Enquanto Mbala ajuda-nos com os seus fogões, ele também se beneficia com a venda dos fogões que produz," concluiu Teresa, cliente assíduo do mestre Mbala.

Apesar de gostar do que faz, o mestre artesanal Mbala também enfrenta muitas dificuldades para a produção dos fogões. A falta de equipamento de corte e de medição, constituem uma preocupação do Mbala. Outras necessidades por ele partilhadas, prendem-se com a falta de energia bem como aquisição de equipamento moderno.

Desde que começou a produzir os fogões caseiros, o jovem conta que já formou mais de 400 jovens, alguns dos quais que tornaram-se empreendedores na área da serralharia.
 
“Os jovens quando chegam aqui, aprendem a medir, cortar chapas e algumas noções básicas de geometria. Só que muitos deles acabam desistindo por que é uma profissão que exige esforço físico, paciência e dedicação,” concluiu o mestre Mbala.

“Eu fui treinado pelo mestre Mbala há uns 5 anos atrás. Agora, criei a minha pequena oficina e produzo grades, portas e outros materiais que os clientes pedem para fazer. Isso tem me ajudado muito e agradeço ao mestre Mbala por ter me ensinado esta arte," disse o jovem Cândido Alfredo que não aceitou ser fotografado, mas é um dos formados saídos das mãos de Mbala.

A actividade exercida pelo jovem artesão tem muitos benefícios do ponto de vista ambiental e económico pois segundo especialistas da área, a reciclagem do metal contribui na geração de empregos, economia de energia, diminuição da poluição e de lixeiras.

Bento é o comunicador da Conferência de Oeste de Angola das Notícias Metodista Unida. Contacto com a imprensa: Rev. Gustavo Vasquez, editor de notícias, [email protected]. Para ler mais notícias da Metodista Unida, inscreva-se nos resumos quinzenais gratuitos.
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