Ajuda da Migração Global chega à Moçambique através da UMCOR


Palavras Chaves:

 • ‘Deixei tudo atrás e tornei-me uma refugiada no meu próprio pais.’

 • O apoio que providenciamos, visa dar resposta imediata aos sobreviventes.

 • Os Metodistas Unidos estão trabalhando em coordenação com as estruturas locais na provisão de assistência humanitária.


A UMCOR, United Methodist Commite On Relief (Comitê Metodista Unido de Auxílio), é a agência que serve como braço direito da Igreja para questões humanitárias em todo o mundo. O departamento já interviu no sofrimento das populações, aquelas que sobreviveram nos últimos 2 anos aos efeitos nefastos dos ciclones Idai, Kenneth, Guambe, Chalane e Eloise, apenas para citar alguns que fustigaram o país.

“O departamento de emergência continua incansavelmente a providenciar assistência humanitária aos sobreviventes, tanto de desastres naturais como dos conflitos armados,” disse Respeito Vasco Chirrinze, Coordenador de Emergência para a Área Episcopal de Moçambique.

“O apoio que providenciamos, que consiste em produtos alimentares e material de construção, visa dar resposta imediata aos necessitados, trabalho esse que é feito em coordenação com a UMCOR, IMUM e as lideranças no terreno,” explicou Chirrinze.

Falando à margem dos problemas que têm afectado o pais, Chirinze detalhou por exemplo, que “o último ciclone tropical denominado Eloise chegou à costa moçambicana a 23 de janeiro de 2021, tendo afetando as Províncias de Sofala, Manica e Inhambane.”

De acordo com o Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) o ciclone causou danos a um universo de 6.859 famílias, das quais 4.246 foram resgatadas. Já em Inhambane foram cerca de 440 famílias afetadas por este desastre natural.

Edilson Fernandes, assistente do Departamento de Emergência explicou que “para intervir neste flagelo, a Igreja Metodista Unida em Moçambique através deste Departamento, elaborou em primeiro lugar o relatório de avaliação de danos bem como análise das necessidades face a situação.”

Normalmente, o trabalho inicia com o estudo e avaliação dos danos que ajudarão na selecção da estratégia para melhor implementação da intervenção.

“Depois de estudado e avaliado o impacto, submeteu-se o grant application a UMCOR, que depois de revisto e analisado, foi aprovado com um fundo (neste caso, fundo de solidariedade) de cerca de USD 10.000,00 para as necessidades de alimentação, higiene básica e abrigo,” explicou Fernandes.

Chirrinze fez-nos saber que com os fundos recebidos, foi feito a aquisição e distribuição de 9 toneladas de produtos diversos como arroz, açúcar, óleo, feijão, amendoim e outros, para assistir as pessoas em situação difícil. A ação aconteceu em coordenação com o governo do distrito e de Nova Mambone, na Província de Inhambane, e contou com o Superintendente do Distrito Eclesiástico de Inhambane no Norte, e o Pastor do Cargo Pastoral de Nova Mambone.

Dona Teresa, responsável pelo clube desportivo de Pemba, Moçambique, um dos centros de reassentamento dos refugiados, e o senhor Respeito Vasco Chirrinze (coordenador de emergência). Foto de Edilson Fernandes. 
Dona Teresa, responsável pelo clube desportivo de Pemba, Moçambique, um dos centros de reassentamento dos refugiados, e o senhor Respeito Vasco Chirrinze (coordenador de emergência). Foto de Edilson Fernandes.

Na zona norte, concretamente em Cabo Delgado, os distritos de Pemba, Metugi, Ancuabe e Montepuez, as populações sofrem dos efeitos da guerra movida pelos terroristas que já gerou milhares de deslocados internos.

“O governo e as organizações humanitárias redobram esforços com vista a apoiar os sobreviventes dos terroristas,” explicou Chirrinze.

“Com vista a apoiar os deslocados,´´ disse Chirrinze, ´´o departamento elaborou em novembro de 2020, um relatório das necessidades que submetemos a UMCOR. Este por sua vez encaminhou ao departamento da Global Migration (Migração Global).”

“No mês de março de 2021, a Migração Global aprovou um fundo avaliado em USD 25.000 para aquisição e distribuição de bens alimentares e produtos de higiene, cujas quantidades estimam-se em cerca de 12.900 toneladas, que beneficiaram mais de 250 famílias em Cabo Delgado," finalizou Chirinze.

No bairro de reassentamento de Tanganhague em Metugi, conversamos com a Viaze Aly de 28 anos de idade, depois dela receber os bens alimentares.

“Eu vivia no distrito de Quissanga, agora ocupado pelos insurgentes, é lá onde deixei a minha casa, meus bens e material do meu projecto de pesca… deixei tudo atrás e tornei-me numa refugiada no meu próprio país, com os meus dois filhos de três e cinco anos e mais dois irmãos de 13 a 15 anos respectivamente,” acrescentou Aly.

A beneficiária não escondeu a sua satisfação ao afirmar que após receber o apoio da Igreja Metodista Unida, pronunciou-se com gratidão. ´´A quantidade de alimentos que recebi da Igreja hoje vai aliviar o sofrimento que eu, meus filhos e irmãos estavamos sujeitos. Agradeço do fundo do coração a Igreja e a Deus por lembrar-se de nós,” concluiu Aly.

A beneficiária falou também que já passava três meses sem receber nenhum apoio alimentar significativo.

Contactada telefonicamente a Superintendente Distrital em Cabo Delgado, Dércia Marrengula, explicou que ´´tanto o governo como algumas organizações de ajuda humanitárias que operam naquela parcela, estão satisfeitas com o contributo da Igreja na minimização dos efeitos de ciclones e da situação do terrorismo.”

“O governo provincial agradeceu a intervenção da IMUM face à situação que aflige as populações deslocadas," explicou Marrengula.

Neste momento, alguns deslocados estão recebendo parcelas de terra para construírem suas casas e praticarem a agricultura nas novas zonas residenciais para garantir o auto-sustento alimentar.

Wilson é o comunicador da Conferência de Moçambique Sul das Notícias Metodista Unida. Contacto com a imprensa: Rev. Gustavo Vasquez, editor de notícias, em [email protected]. Para ler mais notícias da Metodista Unida, inscreva-se nos resumos quinzenais gratuitos.

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