Liderança da IMU em Moçambique se preocupa com a pandemia do COVID-19

A pobreza em Moçambique é um dos vectores multiplicadores do sofrimento dos mais de 28 milhões de habitantes. Ela, se notabiliza pela falta de infra-estruturas robustas ou básicas, não só de saúde, mas também de educação e economia apenas para citar algumas.
 
É com base nesta realidade que a liderança da IMU nesta Área Episcopal está preocupada com o povo de Deus, desde que esta pandemia de Covid-19 começou, e particularmente em Moçambique.

"Já temos 7 casos positivos de COVID-19 em Moçambique até ontem, dia 26 de março. Isto preocupa-nos como Igreja", disse a bispa Joaquina Filipe Nhanala, da Área Episcopal de Moçambique em conversa com a nossa reportagem.
Revma Bispoa Joaquina Filipe Nhanala da Área de Moçambique, ladeada a direita pelo Superintendente Boaventura Mazive de Maputo Cidade e o Assistente Episcopal do Norte de Mocambique, Rev. Jacob Jenhuro. Foto de Arquivo, por Joao Filimone Sambo.
Revma Bispoa Joaquina Filipe Nhanala da Área de Moçambique, ladeada a direita pelo Superintendente Boaventura Mazive de Maputo Cidade e o Assistente Episcopal do Norte de Mocambique, Rev. Jacob Jenhuro. Foto de Arquivo, por Joao Filimone Sambo.
Em 20 de março, o chefe de estado Moçambicano Filipe Jacinto Nyusi, em comunicado a nação, estabeleceu algumas medidas de convivência que incluem: o fechamento de escolas públicas e privadas a partir do ensino pré-primário até universitário, com efeitos a partir do dia 23 de março e limitação de até 50 pessoas em cultos religiosos, casamentos, funerais entre outros convívios de índole sociopolítico e familiar até 15 de abril de 2020.

Em 24 de marco, a Revma bispa emitiu um comunicado de imprensa onde sublinhou:  "Nós como Igreja Metodista Unida, cremos que as medidas tomadas visam proteger as nossas famílias, amigos e irmãos na fé pelo que, dentro da nossa conexionalidade, embora fisicamente separados, continuaremos ligados espiritualmente em oração e em jejum à volta do trono do Deus."

As medidas tomadas pela igreja, face a esta pandemia foram recebidas com aceitação segundo o Rev Hermínio Guifutela, Director do Conselho dos Ministérios da Conferência de Norte de Moçambique.

Dentre várias medidas tomadas pela Igreja, estão: (1) a suspensão dos cultos, seminários, e todo o tipo de reuniões a partir da Classe até ao nível da Conferência Anual; (2) a orientação da realização de cultos domésticos ao nível familiar, afinal diz o Senhor: onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles. (Mateus 18:20); (3) a realização de cultos diariamente a partir de 18h30 onde os membros recebem para cada dia, um guia contendo leituras bíblicas para a meditação. As medidas estão presentes no comunicado.
Reverendo Vicente Mauaie lavando as suas mãos antes de entrar no edifício da IMUM em Maputo. Foto de João Filimone Sambo
Reverendo Vicente Mauaie lavando as suas mãos antes de entrar no edifício da IMUM em Maputo. Foto de João Filimone Sambo.
O comunicado, apresenta um leque de orientações, que incluem também métodos de prevenção bem como a prática da higiene e observância de todas as recomendações anunciadas pelo Ministério da Saúde.
 
"No Cargo Pastoral de Malhangalene, cumprindo com as orientações da Igreja, quando eram quase 18h30, o nosso pároco fez questão de nos lembrar com uma mensagem, de que era chegada a hora de dobrarmos o joelho em oração", disse a senhora Rute Uthui, membro daquele cargo.

"A prática destes cultos domésticos é muito importante", afirmou o Rev. Xavier Guambe de Cargo Experimental de Laulane. "Esta prática não só beneficia a igreja, mas grandemente a família, porque ela encontra um momento ímpar para estar e falar com Deus", afirmou.

"Recomendarei a minha comunidade para continuar com estes cultos domésticos mesmo depois de erradicar-se o COVID-19", disse Guambe.
 
A Igreja está preocupada com a situação da pandemia. Nos Escritórios Centrais da IMU Moçambique, foi colocado um balde com sabão para que os trabalhadores, bem como os visitantes destes, possam antes de entrarem ou ao saírem do edifício, lavarem as suas mãos, como forma de prevenir-se da contaminação pelo COVD-19.
 
A Área Episcopal de Moçambique abrange 3 países: Moçambique, África de Sul e Madagáscar. Já há mensagens de encorajamento que estão sendo partilhadas com esses países, mensagens que orientam a Igreja como deve funcionar enquanto perdurar esta epidemia.

Como forma de prevenção às contaminações, o Ministério da Saúde distribuiu panfletos as confissões religiosas que, como se espera, ajudarão as comunidades a se precaverem da pandemia.

"Oro para que esta doença passe logo e que voltemos à normalidade", disse a senhora Rita Samuel funcionária e membro da Malanga, apontando um dos panfletos colado junto ao Comunicado Episcopal, num dos edifícios da Igreja da Malanga.
Rita Samuel aponta para o cartaz e o comunicado episcopal que falam das medidas a serem tomadas face ao COVID-19. Foto de João Filimone Sambo.
Rita Samuel aponta para o cartaz e o comunicado episcopal que falam das medidas a serem tomadas face ao COVID-19. Foto de João Filimone Sambo.
"Esta doença, contrariamente ao que tem sido prática nos países em vias de desenvolvimento, pelo menos coloca a todos na mesma plataforma. Sermos tratados nos nossos países e, ninguém viaja para fora do seu país para fins hospitalares", concluiu Samuel.

"Nós que guarnecemos os Escritórios Centrais, temos a responsabilidade adicional de incluir sempre os produtos químicos e o sabão aqui neste balde, e fazer com que todos os usuários deste edifício façam a higienização das mãos", informou Alfredo Rafael Chume, um dos guardas dos Escritórios Centrais da IMUM.

*Sambo é o correspondente lusófono em África das Notícias Metodista Unida.

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