Iniciativa Agrícola da IMU causa impactos visíveis em Angola Leste

Pontos Chaves:

  • O Projeto Yambasu visa não apenas a sustentabilidade alimentar, mas também a propagação do evangelho através de ações tangíveis.
  • O objectivo do projeto é sustentar a igreja através da agricultura, gerando e arrecadando fundos para as conferências.
  • Da receita produzida, parte foi reinvestida na expansão da área de cultivo.
  • Com iniciativas como o Projeto Yambasu, espera-se que as comunidades locais em África, melhorem suas condições de vida, e  fortaleçam sua independência econômica e social.

O projecto Yambasu, coordenado pelo Reverendo Jeovanni Mendes e com suporte crucial dos Ministérios Globais, está alcançando marcos importantíssimos na sua trajectória. Iniciado com três objectivos fundamentais (segurança alimentar, produção e venda de milho, e criação de porcos) o projecto conseguiu atender nove comunidades ao redor da missão Metodista do Quéssua.

Na fase inicial, o projecto beneficiou 399 famílias através da distribuição de ferramentas como enxadas e catanas, além de sementes essenciais como feijão, milho, amendoim, tomate, couve e repolho. A assistência agrícola, o treinamento prático e o acompanhamento das cooperativas locais, também foram componentes cruciais do sucesso inicial.

“Em termos de produção agrícola, já foram cultivados e colhidos com sucesso na primeira safra, dez hectares de milho, resultando em 44 toneladas e 836 kg de cereais diversos,” explicou o Rev. Jeovanni Mendes, coordenador do projecto.

Uma das porcas reprodutora do projecto Yambasu no Leste de Angola amamenta os seus filhotes. Malanje, foto de João Nhanga, UM News.
Uma das porcas reprodutora do projecto Yambasu no Leste de Angola amamenta os seus filhotes. Malanje, foto de João Nhanga, UM News.

A extensão total de cultivo que a Iniciativa Yambasu abrange é de 15 hectares para os anos 2023 e 2024, e conta com 24 trabalhadores sazonais.

“Estamos felizes em poder reportar que, dessa produção, já encaixamos, nos cofres da tesouraria Conferencial, mais de cinco milhões de kwanzas,” disse Mendes, mencionando a quantia que equivale a quase 6 mil dólares hoje.

O projecto YAI, tem um plano e sonho ambicioso, segundo afirmou o seu coordenador.

“Da receita produzida, parte deste foi reinvestido na expansão da área de cultivo, agora passando de dez para quinze hectares,” disse Mendes.

Segundo fontes ligadas ao projecto, com relação à criação de porcos, o projecto começou com 14 animais e agora tem 85, incluindo matrizes reprodutoras que contribuem substancialmente para a renda da Conferência, com mais de um milhão e quinhentos mil kwanzas (quase 2 mil dólares) provenientes das vendas.

Além das metas alcançadas na primeira fase, o projecto agora avança para uma segunda etapa ambiciosa. Esta nova fase inclui a construção de um aviário para a criação de galinhas poedeiras, bem como a abertura de um talho para a comercialização da carne suína.

Segunda fase de producão de milho do Projecto Yambasu na missão do Quessua, conferência do Leste de Angola. Malanje, foto de João Nhanga, UM News.
Segunda fase de producão de milho do Projecto Yambasu na missão do Quessua, conferência do Leste de Angola. Malanje, foto de João Nhanga, UM News.

O projecto YAI tem a responsabilidade de garantir a segurança alimentar também para as comunidades circunvizinhas. Este, providencia o know-how (conhecimento) às populações sobre as técnicas e boas práticas para agricultura.

“Há medidas robustas de segurança alimentar que estão sendo implementadas, incluindo a distribuição de ferramentas agrícolas para novas comunidades no sector de Quimbamba, que abriga doze aldeias,” explicou Gilberto Guedes monitor e avaliador interno do projecto.

O coordenador informou que, com os resultados agrícolas até aqui alcançados, há necessidade de se pensar em aquisição de mais terras direcionadas à prática da agricultura para o bem da Conferência Anual do Leste de Angola (CALA).

“O sucesso deste projecto Yambasu na nossa Conferência, reflete não apenas as conquistas significativas em termos de segurança alimentar e desenvolvimento agrícola, mas também um compromisso contínuo com o crescimento sustentável e o fortalecimento das comunidades locais,” disse Guedes.

Durante o balanço, Domingos Cambolo Muanha, tesoureiro do Projecto Yambasu, destacou os desafios enfrentados durante a primeira fase da iniciativa.

“Seria precipitado neste momento esperar benefícios imediatos do primeiro investimento do projecto […] devido às despesas elevadas durante a fase inicial de plantio de milho.”

A producção de suínos, é uma realidade nesta Iniciativa Agrícola. Malanje, foto de João Nhanga, UM News.
A producção de suínos, é uma realidade nesta Iniciativa Agrícola. Malanje, foto de João Nhanga, UM News.

O tesoureiro explicou que como qualquer projecto numa fase inicial investe-se mais nos preparativos, nas infraestruturas, etc.

“Na primeira fase, lamentavelmente, enfrentamos muitos desafios, incluindo o roubo frequente da produção, até mesmo por parte daqueles que nos apoiavam,” lamentou Muanha.

“Além disso, a falta de uma colhedora adequada foi também uma grande limitação.”

No entanto, ele ressaltou os avanços significativos na segunda fase, onde medidas de segurança foram reforçadas e infraestruturas essenciais como uma colhedora e um armazém foram recentemente adquiridas e construídas.

“Aprendemos lições valiosas com os obstáculos enfrentados na primeira fase […] foi um período de aprendizado sobre como lidar com os desafios operacionais e logísticos,” acrescentou Muanha.

Ele reconheceu que, inicialmente, a comunidade não estava totalmente preparada para o projeto, mas enfatizou os esforços contínuos para melhor o engajamento e a participação comunitária na segunda fase.

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Durante um encontro recente, o engenheiro Kutela Katembo, responsável técnico pela agricultura no Projecto Yambasu, identificou os principais obstáculos enfrentados pela iniciativa.

“As nossas principais dificuldades, estão relacionadas a insuficiência da água para a irrigação e o consumo dos suínos […] e também queremos mais espaço pois o crescimento das nossas actividades, demanda mais espaço para o cultivo,” afirmou Katembo.

Além das questões de infraestrutura, como a falta de água adequada para as necessidades das criações, o engenheiro destacou a dificuldade na compra de ração.

“Em resposta a estes outros desafios, o projecto tem em manga planificado a aquisição de um terreno específico para a produção de milho, visando a autossuficiência na produção de ração tanto para porcos quanto para galinhas,” disse Katembo.

“A produção local de ração facilitará significativamente a criação de frangos e mesmo para os suínos,” acrescentou Katembo.

Num esforço para promover a sustentabilidade alimentar e fortalecer a infraestrutura econômica das comunidades locais, o Projeto Yambasu está ganhando destaque em várias regiões da África. Sob supervisão do missionário regional, o engenheiro John Nday, o projecto está transformando vidas ao fomentar práticas agrícolas robustas e promover o evangelismo através de ações concretas.

“Cada um de nós é responsável por sua região de monitoria e avaliação,” explicou Nday.

“Minha colega monitora cinco conferências no Congo Central, enquanto eu acompanho duas conferências em cada um dos países sob minha supervisão, totalizando dois projectos por país,” explicou Nday.

Nday destacou a importância de seu papel como representante da Junta Geral do Ministérios Globais (GBGM) e como testemunha das conferências Africanas.

“Estou aqui para entender as dificuldades e os sucessos da implementação do projecto na Conferência Anual do Leste de Angola,” disse ele.

“É crucial que os líderes da igreja e as comunidades estejam cientes de tudo o que está sendo feito em relação ao projecto.”

O Projeto Yambasu visa não apenas a sustentabilidade alimentar, mas também a propagação do evangelho através de ações tangíveis, diferenciando-se de outras iniciativas religiosas.

“Queremos fazer diferente […] o nosso objectivo é sustentar a igreja através da agricultura, gerando e arrecadando fundos para as conferências. Podemos cultivar mangueiras, palmeiras, laranjeiras e também criar animais, mas tudo isso deve garantir a segurança alimentar das populações e gerar receitas para os cofres da Igreja.”

Nday encorajou as comunidades a pensarem em iniciativas de médio e longo prazo.

“Apesar dos riscos associados à agricultura, como a falta de chuvas, a criação de gado pode oferecer resultados sustentáveis a longo prazo. Por exemplo, na Conferencia do Sul de Moçambique, já temos cem cabeças de gado,” observou ele.

Um aspecto salutar recomendado por aquele representante da GBGM em Angola Leste, tem a ver com a importância do treinamento das comunidades e a sua réplica.

“O treinamento deve ser limitado a trinta pessoas por comunidade que, por sua vez, formarão outras pessoas,” recomendou.

“Não basta dar produtos às comunidades […] devemos também monitorar o que estão fazendo para que o esforço da igreja não seja em vão […] devemos encorajar essas comunidades a não desistirem, pois, o objectivo do projecto é garantir a segurança alimentar,” terminou Nday.

Com iniciativas como o Projeto Yambasu, espera-se que as comunidades locais em África, não apenas melhorem suas condições de vida, mas também fortaleçam sua independência econômica e social, alcançando um futuro mais próspero e sustentável.

*Nhanga é o comunicador da Conferência Anual do Leste de Angola das Notícias Metodista Unida. Contacto com a imprensa: Rev. Gustavo Vasquez, editor de notícias, em [email protected]. Para ler mais notícias da Metodista Unida, inscreva-se nos resumos quinzenais gratuitos.

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