Aconteceu entre o dia 3 e 10 de julho, na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo, o 21º Concílio Geral da Igreja Metodista brasileira. Foram quase 300 pessoas reunidas no Hotel Grand Park, representando as 10 Regiões Eclesiásticas e Missionárias da IMB para discutir a vida e missão da Igreja, e eleger o Colégio Episcopal e lideranças para o próximo período eclesiástico. Cinco novos bispos foram eleitos durante o conclave, e cinco foram reeleitos para o cargo. A Igreja Metodista brasileira disponibilizou em seu site uma página em inglês e em espanhol para a apresentação do Colégio Episcopal que atuará no próximo período.
Três bispos do atual colegiado anunciaram as suas aposentadorias durante o 21º Concílio Geral: Bispo Luiz Vergílio Batista da Rosa, atual presidente do Colégio Episcopal, Bispo José Carlos Peres, vice-presidente, e Bispo João Carlos Lopes. A Bispa Marisa de Freitas Ferreira havia anunciado a sua aposentadoria durante o ano de 2021.
As lideranças eleitas para a Coordenação Geral de Ação Missionária, Conselho Fiscal e Comissão Geral de Constituição e Justiça, podem ser conferidas juntamente com fotos e vídeos do evento no site metodista.org.br/21cg.
O Plano Nacional Missionário (PNM), que orienta a ação da Igreja Metodista no território nacional, recebeu acréscimos que reforçam a importância do trabalho antirracismo e de acolhimento com imigrantes, diante de uma realidade internacional que revela o crescimento de problemas relacionados a esses temas. Uma alteração que leva em consideração as mudanças no mundo, foi a solicitação da inclusão do ponto “Correntes migratórias”, entre as questões para as quais a Igreja é desafiada a olhar. Outros acréscimos nos desafios foi a Inclusão dos termos “povos indígenas, ribeirinhos e outros” no ponto que trazia apenas “Tribos urbanas” anteriormente. O Brasil vem sofrendo constantes ataques e registro de assassinatos de povos indígenas, indigenistas e até de jornalistas dedicados a denunciar a violação de direitos dos povos originários. Leia o recente manifesto da Pastoral Indigenista da Igreja Metodista Brasileira sobre a morte de Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips.
Foi sugerido também alterações no texto que trata dos Desafios contemporâneos. Onde o documento traz “Meio Ambiente”, agora se propôs a inclusão do texto “e sustentabilidade”. Entre as sugestões constava que onde o documento falava do Desafio Urbano, se incluísse também a realidade do “inchaço das cidades”. A harmonização do documento será concluída pelo Grupo de Trabalho eleito, e o documento será disponibilizado para orientar o trabalho dos metodistas brasileiros pelo próximo período eclesiástico.
A Igreja Metodista brasileira concluiu mudanças na distribuição de seus territórios, aprovando a autonomia da Região Missionária da Amazônia, que agora será a 9ª Região Eclesiástica da Igreja. A Região Missionária do Nordeste também sofreu alterações, convertendo alguns de seus territórios em Campos Missionários, juntamente com estados que antes pertenciam a Região Missionária da Amazônia. Esses Campos Missionários terão apoio das Regiões Eclesiásticas para seu desenvolvimento e expansão.
Laços fraternos entre IMB e IMU
Um dos assuntos abordados durante a reunião, foi a proposta que tratava dos laços com a United Methodist Church (Igreja Metodista Unida), em tempos de discussão sobre a inclusão LGBT.
Na manhã de sábado, 9 de julho, por sugestão da 7ª Região Eclesiástica, o assunto foi colocado em pauta, mas antes que a proposta de “Rediscussão da vinculação com a Igreja Metodista Unida” fosse colocada para discussão dos delegados e delegadas presentes, o Bispo João Carlos Lopes, que já representou a Igreja Metodista brasileira nas Conferências Gerais da Igreja Metodista Unida, fez esclarecimentos acerca do cenário internacional.
“Acho que votar essa proposta nesse momento é botar o carro na frente dos bois”, esclareceu o bispo João Carlos Lopes, informando que a Conferência Geral da IMU foi adiada para o ano de 2024. Depois de detalhar o cenário, o Bispo João Carlos declarou ainda que entendia não ser o melhor caminho discutir a matéria naquele momento, devido aos laços fraternos que a Igreja Metodista brasileira já possui com a Igreja Metodista Unida e suas agências.
“Você dizer hoje que há diferenças doutrinárias entre nós e a Igreja Metodista dos Estados Unidos é um equívoco horrível porque não foi decidido”, defendeu.
O Bispo João Carlos seguiu ampliando a explicação sobre o relacionamento da Igreja Metodista no Brasil com outros países. “A nossa relação com todas as Igrejas Metodistas no mundo, com as quais temos relação, são fraternas. Elas não são de dependência em nenhum sentido”.
Toda a discussão acerca desse tema e outros momentos do Concílio podem ser assistidos em português, no canal oficial do Youtube da Igreja Metodista brasileira. Acesse aqui.
Em sua fala, o Bispo João Carlos sugeriu que a discussão fosse adiada para depois da Conferência Geral da IMU, em caso de mudança de cenário. Ele contou que são recorrentes questionamentos sobre a Igreja Metodista brasileira estar decidindo sobre o assunto, ao que ele responde negativamente. “A Igreja Metodista Unida [...] está trabalhando nessa direção”, afirmou dizendo que sempre responde dessa forma, esclarecendo a diferença dos cenários entre metodistas brasileiros, e metodistas unidos. “Para nós, vale o que está nos Cânones, e os nossos Cânones dizem que é vedado ao pastor ou a pastora fazer casamento entre pessoas do mesmo sexo. É isso que está nos Cânones e não haverá uma mudança fora de um Concílio Geral (brasileiro)”, afirmou, dizendo ainda que é função dos bispos e bispa do Colégio Episcopal pastorear o seu povo.
Em sua fala o Bispo João Carlos explicou também que citar a Igreja Metodista Unida hoje, dizendo que ela tem doutrinas contrárias às brasileiras, não é verdade. “Ofenderia a Igreja Metodista Unida e todo o povo que está lá”. Somente no caso de mudanças concretas nas leis da IMU, estariam então contrários às convicções da Igreja Metodista brasileira e às suas leis. “Mas hoje não existe isso, então tomar a decisão baseado em um fato que não existe, não é sábio”, concluiu o Bispo.
Diante de manifestações de preocupação por parte de delegados, especialmente com a direção que o debate a respeito da inclusão LGBT, o pastor e professor Paulo Roberto Garcia, indicou uma proposta substitutiva para o tema. O delegado, que também tem experiência com a participação em Conferências Gerais da Igreja Metodista Unida, leu sua proposta estruturada em diferentes considerações, e destacou que notava muitas falhas nas informações sobre proporções de conservadores e progressistas apresentadas pelos delegados que se manifestaram anteriormente. Leia o texto abaixo:
Considerando que
- A Igreja Metodista Unida é uma Igreja que deu origem a Igreja Metodista no Brasil e com a qual mantemos relação fraterna e temos assento no Concílio Geral dessa Igreja.
- Temos mantido parcerias históricas com seguimentos da Igreja Metodista Unida (Confederação de Mulheres, Junta de Discipulado com o projeto Cenáculo, Junta de Ministérios Globais acompanhando e enviando missionários brasileiros à várias Igrejas) e com Regiões Eclesiásticas, como a Região da Alemanha, que apoia projetos nossos em regiões missionárias, na Rema por exemplo.
- A Igreja Metodista Unida passa por um momento de redefinição missionária que será definida em seu Concílio Geral que será realizado em 2024.
- Há um movimento de Igrejas de lideranças da Igreja Metodista que já anunciaram a criação de uma nova igreja, Igreja Metodista Global em maio deste ano, mas definiram a criação após o Concílio Geral.
- O tema prioritário nesse conflito é a posição diante da homoafetividade, propomos:
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a. Que a Igreja Metodista no Brasil já tem uma posição definida sobre esse tema, e que reafirma essa posição.
b. Que a Igreja Metodista no Brasil é uma igreja que respeita e promove relações fraternas com o metodismo mundial sem abrir mão das suas doutrinas e convicções.
c. Que frente a esse momento de transição nos mantenhamos abeto às relações fraternas até as resoluções do Concílio Geral da UMC de 2024, e que após as definições, o Colégio Episcopal e a Coordenação Geral de Ação Missionária avaliem, à luz dos nossos princípios já definidos anteriormente, os caminhos das nossas relações fraternas com essa Igreja, bem como com a futura Igreja Metodista Global.
Colocada em votação, a proposta foi aprovada por unanimidade.
Durante a apresentação do Relatório da Secretaria para Vida e Missão da Igreja Metodista, agências da Igreja Metodista Unida, como a UMCOR, também foram mencionadas como apoiadoras na realização do trabalho missionário no país. Confira o relatório em vídeo aqui.
A cobertura completa do 21º Concílio Geral da Igreja Metodista foi realizada pelo veículo oficial de comunicação da IMB, o jornal Expositor Cristão. Acesse o site do jornal e confira as informações e boletins diários aqui. Veja os álbuns de fotos diários no Facebook do Jornal.
*Sara de Paula é tradutora independente e comunicadora da Igreja Metodista no Brasil. Para contatá-la, escreva para [email protected]. Para ler mais notícias dos Metodistas Unidos, assine os resumos quinzenais gratuitos.