Hospitais e membros da IMUM de mãos dadas na luta contra o COVID 19

A Conferência Anual de Moçambique Sul, tem dois hospitais que fazem tudo que está ao seu alcance no combate à pandemia de Covid-19 que tem assolado o mundo inteiro. 
 
Moçambique é um dos países vulneráveis a epidemias e pandemias da região, dada a sua fragilidade estrutural e do sistema sanitário que data da era colonial, assim como a sua localização geografica com seis fronteiras que fragilizam o país. 
 
Em resposta a actual situação da pandemia, os hospitais de Chicuque, no Município de Maxixe e o de Cambine, no distrito de Morrumbene (ambos na província de Inhambane), têm redobrado esforços preventivos contra o coronavírus. Estes esforços são somados com a resposta voluntária dos membros da Igreja na produção e distribuição de máscaras, que podem naturalmente reduzir os riscos de contágio e propagação da COVID-19.
 
´´Cambine, é uma localidade a 12 quilómetros da estrada principal com sérias dificuldades de acesso a saúde´´, disse Florence Kaying Kayimb, enfermeira e missionária da GBGM e Coordenadora de Saúde Materno Infantil em Cambine.

´´Graças a Deus, na nossa clínica em Cambine ainda não temos casos da COVID-19, mas medidas preventivas estão sendo tomadas, dentre as quais incluem: ter-se sempre presente um balde com agua, sabão e solução para higienização das mãos para que os utentes do hospital possam usar ao entrar e sair do hospital´´. 

Kayimb continuou comentando sobre a importância da pratica do distanciamento físico e social de um metro e meio para um agente de saúde que da palestras sobre a doença, e sobre a importância de como lavar as mãos.

Sobre a questão do uso do equipamento de protecção pessoal, Kayimb disse que ´´todo o pessoal da clínica desinfecta-se antes e depois do início da jornada laboral, tem máscaras, os nossos uniformes de protecção são desinfectados, e sempre usamos luvas´´. 

Para fazer chegar a informação educativa até as comunidades circunvizinhas, utilizam as palestras, onde o maior enfoque cinge-se na lavagem e desinfecção das mãos, uso de máscaras, evitar sítios públicos e a observância do distanciamento público, como contou a missionária.

Do outro lado, conversamos com o Rev. Arlindo Romão Zunguze, Director do Hospital Rural de Chicuque, o segundo maior hospital na província de Inhambane. Confira a entrevista abaixo:
Rev Arlindo Romão Zunguze, Director do Hospital Rural de Chicuque. Foto de António Wilson
Rev Arlindo Romão Zunguze, Director do Hospital Rural de Chicuque. Foto de António Wilson.
Notícias MU: Qual tem sido a prontidão do HRC face a pandemia do CIVID-19?

Rev. Zunguze: O atendimento de doentes infectados pelo COVID-19 está preparado para o hospital distrital de Jangamo, cabendo ao HRC preparar um local para atendimento provisório de casos suspeitos. Isto quer dizer que se tivermos casos suspeitos eles são atendidos em um lugar provisório com apenas duas camas e nós temos que ligar para a equipe da Direcção Provincial de Saúde (DPS), os quais virão com a ambulância apropriada para recolher os doentes para o hospital apropriado.

Notícias MU: Que medidas o HRC tem levado a cabo dentro do hospital e nas comunidades circunvizinhas para a prevenção do coronavírus?

Rev. Zunguze: Interrompemos as consultas externas e as operações electivas, e só se fazem operações de emergência. Esta medida foi recomendada pelas instâncias superiores, para evitarmos aglomerados de pessoas. Só funcionamos com as triagens e atendimento de doentes com doenças crónicas tais como: HIV/SIDA, diabetes, Hipertensão, Tuberculose e funcionam também as consultas pré-natais, para as mulheres grávidas. Outro trabalho que fazemos com muita força é o de educação comunitária, bem como a avaliação da temperatura logo na entrada do hospital, e lavagem das mãos conforme pode ver nas fotos anexas.

Notícias MU: Algum caso suspeito já bateu às portas do HRC?

Rev. Zunguze: Ainda não tivemos casos suspeitos no HRC, graças a Deus.

Notícias MU: Que dificuldades tem o HRC enfrentado neste momento em que estamos a atravessar por causa da pandemia?

Rev. Zunguze: Constituem grandes preocupações a falta de espaço com capacidade de receber e fazer melhor triagem dos casos suspeitos; falta de equipamentos de protecção individual tais como: máscaras, batas apropriadas, botas, óculos, aventais. Há maior probabilidade de os funcionários serem infectados caso haja um número maior de casos.

Se nos aparecesse casos que precisasse de oxigénio, não temos capacidade para fornecer oxigénio para infectados pelo COVID-19 e para outros doentes que temos normalmente recebido no hospital. 

Produção e distribuição gratuita de máscaras: membros da IMUM em acção

A lavagem das mãos e distanciamento físico e social estão sendo praticados, mas a Igreja e seus membros notaram uma grande lacuna na falta de máscaras para as pessoas desfavorecidas, e tomaram a dianteira para produzir e distribuir os itens importantes para proteção, como forma de ajudar na luta contra a COVID-19.
Utentes do Hospital Rural de Chicuque, são testados a temperatura antes de entrar no hospital e depois aconselhados a lavar as mãos. Chicuque, 20 de Abril de 2020. Chicuque; Foto de António Wilson.
Utentes do Hospital Rural de Chicuque, são testados a temperatura antes de entrar no hospital e depois aconselhados a lavar as mãos. Chicuque, 20 de Abril de 2020. Chicuque; Foto de António Wilson.
´´Precisamos de produzir máscaras que reúnam as especificações técnicas para distribuição gratuita às pessoas desfavorecidas´´, disse a bispa Joaquina Filipe Nhanala, da Área Episcopal de Moçambique.

Até este momento, 300 máscaras já foram produzidas e distribuídas em Maputo e Inhambane neste mesmo âmbito.

Outra iniciativa salutar de membros da Metodista Unida, é o das ´´Meninas de Cambine,´´ mais conhecidas por (MCs) que produziram mais de 300 máscaras que foram canalizadas a província de Inhambane para a distribuição gratuita para famílias e pessoas desfavorecidas.

´´As MCs é um grupo formado por filhas, noras e netas de famílias naturais de Cambine, e crentes da Igreja Metodista Unida´´, disse Irene Menete, membro daquele grupo social.

´´Embora seja um grupo recém-criado a sensivelmente há um ano, as MCs não são só para confraternização, mas também para a solidariedade e conforto em momentos de infortúnio", disse Menete.

´´Como Deus habita em nós, sentimos e vimos que Ele nos chama para juntarmos mãos com a igreja nesta luta contra um inimigo comum e invisível. Queremos com este singelo acto, contribuir na prevenção da propagação da COVID-19´´, concluiu Menete.

*Sambo é o correspondente lusófono em África das Notícias Metodista Unida.

**Sara de Paula é tradutora independente. Para contatá-la, escreva para [email protected]

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