150 anos de metodismo no Brasil: Missão, crises e crescimento na 1ª Região Eclesiástica

Difícil falar em 1ª Região Eclesiástica sem falar do início do metodismo no Estado do Rio de Janeiro. O Rev. Fountain E. Pitts chegou ao Rio de Janeiro em 19 de agosto de 1835 para ver a possibilidade de abrir trabalho metodista no Brasil.

Após sua recomendação, a Igreja enviou o Rev. Justin Spaulding, que chegou ao Rio de Janeiro no dia 29 de abril de 1836, organizando uma congregação com mais de 40 estrangeiros/as. Os missionários, contudo, não permaneceram no Brasil. Após longos anos sem pastor metodista no Brasil, Rev. Junius Newman chegou e fixou residência em Niterói, em 1867. Depois, em 1869, foi para Saltinho, SP, onde em 17 de agosto de 1871 organizou a primeira Igreja Metodista no Brasil com nove norte-americanos. (1)

Foi assim também com a chegada do Rev. Ransom, em 1876, como Superintendente da Missão Brasileira. “O Rev. Ransom fixou residência no Rio de Janeiro, arrendando por dois anos uma boa casa, sita a Rua do Catete, nº 175, hoje reformada. ” (2)

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Primeiro Bispo Brasileiro,
César Dacorso Filho. Foto cedida por Expositor Cristão.

Em 1934, Cesar Dacorso Filho foi eleito o primeiro bispo brasileiro e supervisionou de 1934 a 1955 as Regiões do Norte, Sul e Centro. Em 1955, o Concílio Geral desdobrou a Região do Norte (Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo) em duas Regiões: a Primeira (Estado do Rio de Janeiro) e a Quarta (Estados de Minas Gerais e Espírito Santo).

A sessão constituinte do Concílio Regional da 1ª Região ocorreu no dia 30 de janeiro de 1956, sob a presidência do bispo João Augusto do Amaral, eleito em 1955. O primeiro Concílio Regional ordinário da 1ª Região ocorreu em janeiro de 1957, presidido pelo bispo João Augusto do Amaral. (3)

A Igreja Metodista, especialmente no Estado do Rio de Janeiro, passou por grandes crises. Aconteceu o fechamento da Faculdade de Teologia (1968), a “Divisão Wesleyana” (1967), a renúncia do bispo da 1ª Região (1970).

O prof. Duncan Reily disse: “Tudo isso num período em que o Golpe de 64, o emergir de um novo Catolicismo Romano depois do Vaticano II e a onipresença de pentecostais produziram em nós uma profunda crise de identidade. ” (4)  A Igreja perdeu sua identidade e muitos membros. (5) Em 1963 havia 12.494 (6) membros e, em 1975, 14.254 na 1ª Região. (7)

Em 1970, o Bispo Nathanael Inocêncio do Nascimento renunciou ao episcopado, e o Bispo Almir dos Santos assumiu na 1ª Região, sendo reeleito em 1971. A Igreja procurou retomar sua Missão. O Concílio Geral aprovou, em 1974, o tema “Missão e Ministério”, apontando para uma mudança futura na estrutura da Igreja.

Na 1ª Região, alguns/as pastores/as procuraram se reunir para orar, estudar a Bíblia e compartilhar. Surgiram reuniões de oração, louvor e Palavra com os membros e clérigos, na década de oitenta, chamada “Tarde com Cristo”. Assim surgiu o movimento carismático na Região de onde sairiam futuramente os bispos David Ponciano Dias e Carlos Alberto Tavares Alves.

Mas a 1ª Região continuava com lutas. Ela perdeu o bispo Almir, que ficou doente. Em 1977, o bispo Paulo Ayres Mattos foi eleito em seu lugar, abrindo novas perspectivas para a 1ª Região com seu dinamismo e visão social.

Quando o bispo Paulo Lockmann foi eleito, em 1987, estava começando um novo tempo: a Igreja havia aprovado o Plano para a Vida e a Missão da Igreja (1982) e passou a se organizar em Dons e Ministérios (1987). No Brasil havia a abertura política concretizada na década de oitenta.

Com a ênfase do bispo Lockmann no evangelismo, oração e mover do Espírito Santo, a Igreja passou a experimentar um grande crescimento. Com a aquisição da Escola de Missões pela 1ª Região e a preparação dos/ as leigos/as para a Missão e ainda com a aprovação do discipulado com os pequenos grupos, a Igreja na 1ª Região cresceu bastante. Em 1987, havia na 1ª Região pouco mais de 19 mil metodistas e 140 igrejas e congregações. Em 2013, havia cerca de 520 igrejas e 120 mil membros.(8)

Em tempo de multiplicação, o Estado do Rio de Janeiro se tornou a 1ª e a 7ª Regiões. Com a eleição, em 2016, dos bispos Paulo Rangel (1ª Região) e Emanuel Siqueira (7ª Região) viveremos novos tempos, apesar da grave crise financeira que se abate sobre as famí- lias e igrejas locais.

 

  1.  KENNEDY, J.L. Cinquenta Anos de Metodismo no Brasil. São Paulo: Imprensa Metodista, 1928, p.16
  2. Ibidem, p.59
  3. http://www.metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/files/expositor-cristao/2006/ ec_marco_06.pdf
  4. REILY, Duncan Alexander. “Escola Dominical Ontem e Hoje” em Expositor Cristão, Agosto de 1993, p.8.
  5. FILHO, William Schisler. "Os dados comprovam: a Igreja parou" em Expositor Cristão, 2ª quinzena de Julho de 1978, p.13.
  6. ATAS, Registros e Documentos. Estatística, Rol de Membros, Tabela I, 8º Concílio Regional, 9 a 14 de Janeiro de 1964. Imprensa Metodista, São Paulo.
  7. ATAS e Documentos. 20º Concílio, 6 a 9 de Janeiro de 1977, Instituto Metodista Bennett, p. 70.
  8. http://metodista7re.org.br/noticias/relatorio-episcopal-da-reuniao-extraordinaria- -ao-2o-concilio-regional/

* Odilon Massolar Chaves Pastor na Igreja Metodista

** Publicado em português no site da Expositor Cristão

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