Coronavirus quebra a tradição dos cultos em Moçambique norte

O mundo inteiro está experimentando um extremo paradoxo originado por uma doença de fácil transmissão, a qual a Organização Mundial de Saúde (OMS) designa de Corona Virus/ COVID-19. Esta pandemia está criando sistemático desequilíbrio socioeconómico, cultural e religioso.

Neste âmbito, por força da rápida evolução da pandemia, o governo Moçambicano viu-se obrigado a decretar o estado de emergência através do decreto presidencial n˚ 11/2020 de 30 de Marco, ratificada pela lei 1/2020, regulamentada pelo decreto do conselho de ministros n˚ 1/2020 de 2 de Abril a qual na sua alinea b), do n˚ 1 do arttigo 3 institui a proibição de cultos religiosos e que veio a ser prorrogado ontem dia 29 de Abril pelo presidente da Republica, por um período de 30 dias.

Irmãos Quiara e Junaide Gustavo, dirigindo o culto domestico como liturgista e pregador respectivamente. Beira, foto de Eurico Gustavo. 
Irmãos Quiara e Junaide Gustavo, dirigindo o culto domestico como liturgista e pregador respectivamente. Beira, foto de Eurico Gustavo.

O Gabinete Episcopal representado pela reverendissma bispa Joaquina Nhanala emanou um comunicado o qual orienta os membros da igreja para que tivessem cultos domésticos.

´´Como forma de manter a vida espiritual dos membros viva e esperançosos, o Gabinete Episcopal envia textos biblicos diariamente para servir de reflexão em todas familias´´ disse a nossa reportagem a Rev. Telma Ricardo, membro do Gabinete Episcopal e Superintendente Distrital de Sofala.

´´ Na nossa Conferência e durante este momento de crise social, duma forma reiterada temos sensibilizado os membros a observarem as medidas de prevenção que tem sido dada pelas autoridades de saúde. ´´ concluiu Telma.

´´Numa primeira fase, esta medida foi encarada de ânimo leve, pois os membros estavam habituados a terem seus cultos na presença dos seus pastores, amigos e demais, isso por conta da falta de hábito da leitura diária da Bíblia´´ disse Rev. Jacob Jenhuro, Assistente Episcopal na Conferencia do Norte de Mocambique.

´´ Agora, muitos membros da igreja já compreendem que a igreja não é um edificio mas sim as pessoas.´´ disse Maria Mahave aos nossos microfones após o culto doméstico na sua residência.

´´Estou em crer que se todos percebêssemos que a Igreja é assim, então em nenhum momento ela deve morrer, aliás estes cultos contribuem para crescimento espiritual das famílias pois até os membros de família que eram fracos na fé e dificilmente faziam-se à igreja, hoje já lêem a Bíblia e interpretam-na á seus seus níveis.´´ concluiu Mahave.

´´Falar do que tem sido a experiência dos cultos domiciliários no Campo Missionário do Niassa é difícil´´ disse o Rev. Agostinho Nhampossa, Superintendente do Campo Missionario de Niassa.

´´Porem, a minha avaliação primária é positiva,   baseando-me no adágio popular que diz:  “HÁ UM MAL QUE TRAZ O BEM´´

Superintendente Agostinho Nhampossa, do Campo Missionário de Niassa, lavando as mãos como umas das medidas de prevenção contra o COVID-19.
Superintendente Agostinho Nhampossa, do Campo Missionário de Niassa, lavando as mãos como umas das medidas de prevenção contra o COVID-19.

´´Senão vejamos: os cultos domiciliários unem mais as famílias, e partilham experiências de fé, têm tempo de partilhar juntos a palavra de Deus, pregam e ensinam a orar  as crianças, isto é maravilhoso´´ concluiu Nhampossa.

´´No distrito eclesiástico de Tete, para além dos cultos domiciliares, temos sensibilizado os membros a práctica continua de saúde e higiene saudáveis para evitar a propagação da COVID-19.´´ disse Rev. Xavier Nhanombe, líder eclesiástico naquele Distrito.

“Os cultos domiciliares tem sido dirigido de forma rotativa no seio dos membros da família.´´

´´A aderência ainda não é maior, porém temos aconselhado as famílias para aderirem a esta prática e onde encararem dificuldades, deverão contactar o pároco.´´concluiu Nhanombe.

´´Os cultos domésticos constituem uma boa forma de revitalização da vida espiritual e uma boa experiência para as famílias, porque estes são orientados a fazé-los rotativamente´´ afirmou o senhor Cândido Naiene, membro do distrito de Sofala .

 “Os cultos domiciliares acontecem todos os domingos, e durante a semana entre 18 as 19 horas, temos tido orações, leituras bíblicas e cânticos. A liturgia e a pregação é no sistema rotativo, abrangendo todos os membros da familia.´´ afirmou a senhora Maria Mahave, em entrevista.

´´A experiência que nos trazem estes cultos é que todo o agregado empenha-se nesta nobre  causa o que antes era feito por duas pessoas da familia.´´

´´Cada membro da familia percebe que não precisamos de estar na capela para fazermos o trabalho de Deus, mesmo em casa fazemos. Acredito que douravante seremos outras pessoas no conhecimento de Deus e da sua palavra.´´ concluiu Mahave.

No que concerne a prevenção tentamos seguir as orientações do Ministério da Saúde: lavar frequentemente as mãos com água e sabão, uso da etiqueta da tosse e das máscaras, desinfecção da casa e dos utensílios, não partilha de objectos pessoais e o distanciamento  1m a 1/5m”. explicou Bernardo Zeferino, jovem e membro do Cargo Pastoral da Beira.

“Quanto aos cultos, estes têm domésticos tem decorrido da melhor maneira possível. No princípio foi um pouco dificil porque não era o nosso hábito cultuar como familia´´, sublinhou Zeferino.

Senhora Maria Mahave e um membro da familia na sua residência na cidade da Beira, num culto doméstico. Foto de Boaventura Mahave. 
Senhora Maria Mahave e um membro da familia na sua residência na cidade da Beira, num culto doméstico. Foto de Boaventura Mahave.

´´ Mas agora, tem sido uma boa experiência, pois temos tido muito tempo de partilha de mensagem Bíblica em família. Estes cultos, também dão-nos uma oportunidade de apresentar algumas preocupações que cada membro da família possa ter, quer seja de índole pessoal ou espiritual” concluiu Zeferino.

*Gustavo é o comunicador da Conferencia de Mocambique Norte das Notícias Metodista Unida.

Contacto com a imprensa: Vicki Brown, editora de notícias, [email protected] ou 615-742-5469. Para ler mais notícias da Metodista Unida, inscreva-se nos resumos quinzenais gratuitos.

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